A imagem


Aos pés de um coqueiro,
tal imagem parecia inofensiva.
Eram só alguns cerros e colinas,
meios às nuvens numa tarde de verão.
 
Tudo certo, sem surpresas, vejo então,
uma imagem distorcida.
Uma sensação de liberdade,
uma liberdade proibida.
 
Essas coisas simples são perigosas,
nos rodeiam, nos questionam.
Nossa vida é uma perfeita mentira,
para alguns, envolvente e sedutora.
 
O que se quer é limitado
pelo que se pode a vida toda.
E as imagens prosseguem,
dando murros violentos no portão.
 

Cadê


 
Por onde anda a igualdade?
Na esquina com a liberdade?
Ou na travessa com a franqueza?
Será que encontrou a gentileza?
 
Cadê a honestidade?
Visitou a sinceridade?
Será que se amigou da tolerância
para o alívio da prudência?
 
Onde andará o amor?
De mãos dadas com a dor?
Ou com a bela esperança?
Que quer se vir livre da matança.
 
Cadê a compaixão?
Saiu com a paixão?
Dormiu na casa da arrogância?
Irmã da ignorância?
 
E a humildade?
Está com a falsidade?
Que é amiga da violência?
Inimiga da vivência?
 
E a união?...
E o resto?...
Cadê?
Cadê?
                               

Folhas Caducas

  

A cada golpe de frio,
vejo as folhas amarelarem.
Retorcidas enfraquecem, caem,
adubam a terra.
Dispam-se as árvores!
O frio está chegando.
As aves enfeitam as árvores
que viram as noivas desnudas
nas tardes de maio.
Dispam-se as árvores!
Para o frio sulino.
Os ventos varrem as folhas
quebrantas de tantas plantas
mundo a fora.
Dispam-se as árvores!
As folhas caíram e despidas,
as árvores parecem encolher de frio.
Aguentem, pois tudo que começa,
termina de um jeito alucinante.

Iniciando: o amor pela literatura

Meus cumprimentos!

É com muita alegria que inicio esse projeto, um sonho antigo daqueles que não se desfazem no tempo. O amor pela literatura é algo antigo, mas há pouco tempo descobri que é algo imprescindível na minha vida. O mundo das histórias me contagia desde pequeno, o amor por contar e ouvir histórias é algo verdadeiramente humano. Quem nunca ouviu uma boa história e pediu para que o contador (a) continuasse, por mais que o final já tivesse chegado? Sim, isso já aconteceu comigo, mas posso dizer com convicção que literatura é muito mais que isso.

Para começar a lista enorme de benefícios, podemos falar da própria história da humanidade, dos recortes temporais que nos fazem penetrar numa realidade de séculos passados, experiências de vida e sociedade de gerações passadas, a experiência de imersão da literatura nos faz perceber a realidade por nossos olhos, somos nós que construímos o universo. Abraçamos causas, descobrimos realidades, às vezes nas entrelinhas como em períodos de repressão, ou abertamente em períodos democráticos.

O certo é que definir literatura é projeto de uma vida inteira e não serão um punhado de palavras que me servirão para tal tarefa. Deixo, a partir de hoje, o caminho aberto a ser trilhado e que as futuras discussões possam ser cada vez mais proveitosas.